sábado, 25 de outubro de 2008

Mea culpa

Eu tenho vários defeitos e entre eles um muito grave: tirar conclusões apressadas. A pressa nesse caso e na maioria das vezes, acaba por comprometer a qualidade da conclusão. Confirmo o dito popular: "o apressado como crú" - eu disse crú e, embora goste de comida malpassada, o resultado nunca é bom. Pensar e repensar é uma qualidade a ser buscada, questão de bom senso, simples sabedoria.

Pois repensei esse caso do desfecho trágico do seqüestro ocorrido em Santo André/SP. Escrevi alguns artigos a respeito responsabilizando - em parte - a polícia militar pelo insucesso. Isso é meia-verdade, em realidade a doutrina que norteou a ação da pm reflete de maneira correta o modo como pensamos a segurança pública no Brasil.

Cabe analisar a nossa doutrina de segurança pública e a linha mestra que tem sido adotada nas situações de confronto com o crime, que é: - o criminoso é mais importante do que a vítima. E isso se dá de forma concreta pela vitimização - eu chamo de "coitadização" - dos criminosos. Toda ação dos criminosos está previamente justificada pelo problema social que segrega e afasta a oportunidade de uma situação igualitária entre a população. Ponto.

No caso de Santo André, o comandante da operação só fez o que quase todos esperavam dele: optou pela segurança fisíca do seqüestrador. Eu disse "quase todos" porque não imagino que os amigos e familiares da menina Eloá concordem com isso. Mas isso é sempre assim, para sentir a dor é preciso vestir a pele do lobo.

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