sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Perigosas Feiras


Nessa semana compareci na Feira do Livro de Porto Alegre/RS, evento literário que se realiza anualmente na Praça da Alfândega, ponto central da cidade, e que se compõe basicamente de estandes(barracas) onde livrarias e editoras expõem obras literárias ao público. Isso diz muito, mas não diz tudo sobre o evento, que possui ainda atividades voltadas aos autores e leitores - sessão de autógrafos, míni-cursos literários e coisas do tipo.

A atividade pode parecer comum, trivial, visitar uma feira literária. Mas não se engane, a atividade é muito mais complicada do que parece. Como em qualquer feira, as barracas estão lá, os produtos estão expostos nelas, e as armadilhas também! Não pense que qualquer livro é uma obra literária, não é assim que a coisa funciona, como dizem, não se pode julgar um livro pela capa, e eu digo, nem por um impressionante maço de páginas. Certo?

É claro! Há que se verificar o conteúdo. Há muito objeto estranho e não identificado que se metamorfoseia como um livro, parece livro mas não é livro. Você vê, por exemplo, uma obra sobre culinária, imagina que é seja um livro, mas não é, é um compendio de receitas, um manual de cozinha. Algo equivalente ao manual de instruções do seu microondas. Talvez pior, nesses manuais costumam ter bons textos, sempre há algumas frases aproveitáveis.

E não fica nisso, há outras armadilhas! O que dizer da mal intitulada (e falada) "literatura de auto-ajuda"? Não discuto, os livros podem ajudar tudo (principalmente a enriquecer os seus autores!), mas, definitivamente só empobrecem os leitores. Ando pensando em escrever uma obra a respeito: "Como identificar e se manter a uma distância segura da perigosa literatura de auto-ajuda".

E existe muitas outras coisas parecidas com livros, mas que não são livros. Exemplo: livors de figurinhas, de fotografias, enciclopédias, dicionários, manuais de tudo e sobre tudo, perigosas autobiografias, mais perigosas ainda biografias de terceiros, falsos escritores, escritos falsos, livros falsos etc. Sabe do que mais? Considerando tudo, uma visita a uma dessas feiras pode ser uma atividade de alto risco!

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Mesmismo

O mesmismo está condenado a morte. Ou talvez a pior das mortes: o ostracismo. Quem morre ao menos pára de sofrer, e quem cai no esquecimento carrega a dor de morrer um pouco a cada dia. E isso funciona assim porque nós funcionamos assim. Somos, por natureza, adoradores dos escândalos e dos escandalosos. Fosse Madonna uma menina "normal" e nunca teria alcançado o sucesso.

O mundo pertence, pois aos anormais. A anomalia é festejada a cada momento nessa vida. E todos procuram ser o mais louco, o mais diferente, o mais mais possível entre todos os mesmos para poderem ser alguma coisa nessa vida. Não é por nada que Madonna dispara contra a religião, contra os bons costumes, contra o sexo, contra o bom-senso, contra qualquer senso. E Madonna não está sendo ela, está sendo apenas aquilo que querem que ela seja.

Esse mundo está cheio de boas moças, de bons rapazes. Todos mergulhados num grande oceano de mesmice. Ser, pois, alguém certinho é a forma mais certa de alguém não ser ninguém. Não se espante com o aparente contra-senso. Na outra ponta da equação, é preciso ser muito são e experto para parecer louco suficiente para o gosto alheio. A medida certa não é fácil de achar. Fosse fácil os hospícios seriam celeiros de estrelas.

Sempre escrevo que os astros adoram condenar o período em que consumiam drogas - o que os transformavam em loucos convincentes sob demanda, ou seja, sempre que desejavam travestir-se de loucos, se drogavam. O grande barato não era a droga, mas saber a quantidade, a freqüência, enfim, controlar e não serem controlados por ela. Raros conseguiram, e muitos são os que ficaram pelo caminho consumindo e sendo consumidos pelas drogas, os loucos autênticos, os loucos trouxas (Raul Seixas, Janis Joplin, Jimmy Hendrix, Elvis Presley, e tantos outros).

Os loucos mais espertos, os loucos "sob demanda" estão até hoje aqui, são os ex-drogados, os que juram de pés-juntos que o sucesso na carreira não teve nada a ver com a química, com as drogas. Elas até atrapalharem, dizem eles. Como é possível separar isso agora, depois do caso passado, de agido, atuado, de usado (no duplo sentido) drogas? Tardia redenção...

sábado, 25 de outubro de 2008

Mea culpa

Eu tenho vários defeitos e entre eles um muito grave: tirar conclusões apressadas. A pressa nesse caso e na maioria das vezes, acaba por comprometer a qualidade da conclusão. Confirmo o dito popular: "o apressado como crú" - eu disse crú e, embora goste de comida malpassada, o resultado nunca é bom. Pensar e repensar é uma qualidade a ser buscada, questão de bom senso, simples sabedoria.

Pois repensei esse caso do desfecho trágico do seqüestro ocorrido em Santo André/SP. Escrevi alguns artigos a respeito responsabilizando - em parte - a polícia militar pelo insucesso. Isso é meia-verdade, em realidade a doutrina que norteou a ação da pm reflete de maneira correta o modo como pensamos a segurança pública no Brasil.

Cabe analisar a nossa doutrina de segurança pública e a linha mestra que tem sido adotada nas situações de confronto com o crime, que é: - o criminoso é mais importante do que a vítima. E isso se dá de forma concreta pela vitimização - eu chamo de "coitadização" - dos criminosos. Toda ação dos criminosos está previamente justificada pelo problema social que segrega e afasta a oportunidade de uma situação igualitária entre a população. Ponto.

No caso de Santo André, o comandante da operação só fez o que quase todos esperavam dele: optou pela segurança fisíca do seqüestrador. Eu disse "quase todos" porque não imagino que os amigos e familiares da menina Eloá concordem com isso. Mas isso é sempre assim, para sentir a dor é preciso vestir a pele do lobo.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Bom de Cama

Sempre fui considerado um "cara bom de cama". Isso mesmo! Um daqueles caras que mal deitam a cabeça no travesseiro e já estão dormindo. Motivo de inveja (e, quem sabe?, de quantas frustrações?) da minha mulher Nunca me esforcei para isso, e acho que o segredo está justamente nisso, uma cabeça leve e despreocuda na hora de dormir é a melhor dica para se bem dormir. Não é por mera coincidência que se fala "no sono dos inocentes", uma alma leve ajuda muito...

Pois nos últimos dias andamos brigando, eu e o sono. Não, minha alma não se tornou pesada, nem estou com um drama de consciência ou coisa do gênero. O motivo é outro: depois de um ano sofrendo com uma catarata que me reduziu a visão a menos de 10%, recuperei a visão em um dos olhos através de um procedimento cirúrgico. Atualmente estou aguardando para repetir o procedimento no outro olho.

Recuperar a visão é uma das experiências de vida mais marcante pois, como quase sempre ocorre nesses casos, é na falta que aprendemos a valorizar o que de graça nos foi dado. Como é bom voltar a ver o mundo!   

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Um upa na vida

Hoje é um desses dias que nos proporciona um upa na vida! Não estivéssemos na primavera e o dia de hoje seria o retrato perfeito da estação. Um sol maravilhoso, tudo e todos cobertos por um verdadeiro banho de uma luz de ouro. Um vento sereno, leve e perfumado, a incensar todos os ambientes com o aroma das flores.

Até os pássaros reconhecem a beleza do cenário e emprestam os seus cantos alegres para tornar o dia ainda mais lindo...

Que frescura! Pára com isso...   

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Amanhecer em Porto Alegre

Falo do amanhecer como se verbo pessoal fosse. Cometo um erro gramatical evidente. Um erro de lógica? Nem tanto! Como conceber um amanhecer sem a presença de alguém que tenha cognição do fato? Um amanhecer sem testemunhas? Certamente, mesmo sem a presença humana, ainda seria um amanhecer, os dias continuariam amanhecendo, mas esse amanhecer seria vazio.

Por isso peço perdão aos puristas do idioma para esse meu amanhecer, pessoal, ou para que me permitam dizer "que amanheço em Porto Alegre", nessa cidade que se tornou conhecida não pelos seus amanheceres, mas pelos anoiteceres a emoldurarem o Rio Guaíba. A verdade é que, deixada de lado a questão gramatical, o amanhecer de Porto Alegre não fica nada a dever ao anoitecer. Confira:


Concorda comigo, amigo? Estamos em pleno início da primavera, cujas manhãs são gêmeas idênticas das frias manhãs de inverno. A diferença não está no termometro, está no íntimo de cada um que parece saber - embora não seja algo sensível na pele - que agora o tempo é outro, como depôem os pássaros com seus cantos alegres e a natureza com suas flores coloridas.

Ah! Essa é uma hora ideal para um bom café!

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

E, lembre-se!

Nunca dê um café amargo para um bebado. Pior do que ter que aturar uma pessoa embriagada é aturar um bebado acordado...

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Começando

Começo dizendo que vou começar e, isso dito, já comecei! Agora o blog está começado, e inaugurado está! Digo mais, digo não saber exatamente o que escrever e, ao escrever isso, do nada, como por mágica, digo algo. Concorde comigo, amigo, não é melhor um mau dito do que um maldito? E, por favor!, não me amaldiçoe só por te dito isso...

O tema desse blog, por mais incrível que possa parecer, não é o café. E, ao mesmo tempo, é! Eu diria que o café, além de ser uma bebida saborosa, é pretexto para os encontros, para a conversa, para a convivência. O que mais há nessa vida além da possibilidade de trocarmos idéias, experiências, emoções?

Seja bemvindo! Sente-se, escolha um café, e curta o aroma, diga lá a que você veio...