
A atividade pode parecer comum, trivial, visitar uma feira literária. Mas não se engane, a atividade é muito mais complicada do que parece. Como em qualquer feira, as barracas estão lá, os produtos estão expostos nelas, e as armadilhas também! Não pense que qualquer livro é uma obra literária, não é assim que a coisa funciona, como dizem, não se pode julgar um livro pela capa, e eu digo, nem por um impressionante maço de páginas. Certo?
É claro! Há que se verificar o conteúdo. Há muito objeto estranho e não identificado que se metamorfoseia como um livro, parece livro mas não é livro. Você vê, por exemplo, uma obra sobre culinária, imagina que é seja um livro, mas não é, é um compendio de receitas, um manual de cozinha. Algo equivalente ao manual de instruções do seu microondas. Talvez pior, nesses manuais costumam ter bons textos, sempre há algumas frases aproveitáveis.
E não fica nisso, há outras armadilhas! O que dizer da mal intitulada (e falada) "literatura de auto-ajuda"? Não discuto, os livros podem ajudar tudo (principalmente a enriquecer os seus autores!), mas, definitivamente só empobrecem os leitores. Ando pensando em escrever uma obra a respeito: "Como identificar e se manter a uma distância segura da perigosa literatura de auto-ajuda".
E existe muitas outras coisas parecidas com livros, mas que não são livros. Exemplo: livors de figurinhas, de fotografias, enciclopédias, dicionários, manuais de tudo e sobre tudo, perigosas autobiografias, mais perigosas ainda biografias de terceiros, falsos escritores, escritos falsos, livros falsos etc. Sabe do que mais? Considerando tudo, uma visita a uma dessas feiras pode ser uma atividade de alto risco!


